Ballantines Internacional Photography Award 1989
Angelo Maciel
Perfil
Escrever sobre Angelo Maciel e o que ele faz?
Bom, gosto muito de ambos, adoro os dois.
Há uma receita de poema, assim: deve ser feito com os ossos da razão, cobertos pela carne da emoção.
Racional demais: poema esquelético, frio, sem vida.
Exagerado na emoção, nasce o poema gordo, balofo, pesado.
Enfim, há que se dosar a razão com a emoção.
Não sou poeta – embora viva como se fosse. Daí a dificuldade que encontro agora pra dizer o seguinte:
Angelo Maciel e eu somos primos, mineiros ambos.
Pior ainda: somos lavrenses da arábia.
Sim, de (Santana das) Lavras (do Funil), cidadezinha ao sul de Minhas Gerais, coitada, tão perto de São Paulo e tão longe de Deus.
E mineiro não fica doido, piora.
A doidera do Angelo é a fotografia.
Santa loucura!
Para vocês terem uma idéia: foi ele o ganhador, entre concorrentes de 51 países, do prêmio “Ballantine’s”, sob o tema ” The Good Life”.
Papou duas passagens para dar a volta ao mundo, mais cinco mil libras esterlinas(uns dez mil dólares). Prêmio pra ninguém botar defeito. Mas sabem o que fez o Angelo?
Foi pra New York e torrou tudinho em equipamentos. A volta ao mundo pode esperar, outros prêmios virão.
No filme “Meu tio da América”, de Resnais, diz o professor Laborit: “Um ser é uma memória em ação”.
Pura verdade.
A Fotografia do Angelo tem o dom de reviver a vida. Suas fotos de Lavras quase me levam às lágrimas.
Bom, é melhor parar por aqui.
Dedico ao Angelo esta frase: a memória é a cinza do fogo que foi a vida.
Muito muito obrigado, irmão!
Osaka Iter-People Photography Contest
Special Award